top of page

       

   Professor (a):


           Segue abaixo alguns conceitos relacionados à Análise do Discurso, teoria
que fundamenta o projeto ”Memórias de mulheres na posição-sujeito mãe em produções textuais de alunos dos anos finais do ensino fundamental”. Com base nesses conceitos podemos analisar a autoria nos textos produzidos pelos alunos. Na sequência também segue uma tabela que desenvolvemos para avaliar o grau de autoria nos textos produzidos. Essa tabela foi organizada de acordo com a teoria da Análise do Discurso. Trazemos aqui algumas noções, se você desejar ampliar conhecimentos sobre a Análise do Discurso, sugerimos consultar as referências bibliográficas, registradas ao fim desta página.

        Análise do Discurso


        A Análise de Discurso de linha francesa (doravante AD) surgiu na década de 60 na França, período onde aconteceram manifestações por igualdade e transformação político-social. A partir dessas mudanças nas relações sociais da época, Michel Pêcheux, filósofo francês, junto a um grupo de pesquisadores, fundou a Análise do Discurso, teoria que considera a língua em sua relação com a história e a sociedade.


      No Brasil, Eni de Lourdes Puccinelli Orlandi foi a principal introdutora da Análise de Discurso de linha francesa. Segundo Orlandi (2010), a AD concebe a linguagem como mediação necessária entre o homem e a realidade natural e social. Para a Análise do Discurso o discurso é o centro de estudo, o qual relaciona aspectos linguísticos com aspectos histórico-ideológicos.

         Língua e discurso


        Para a Análise do Discurso, a língua materializa os discursos, e é neste viés que propomos pensar o ensino de língua, como se dão esses discursos. Pêcheux
([1969]/1997) afirma que discurso é efeito de sentido entre interlocutores. Os sentidos produzidos pelo sujeito são construídos de acordo com o contexto político-social em que ele está inserido e com os saberes com os quais se identifica.
         De acordo com Orlandi:

         A Análise de discurso, como seu próprio nome indica, não trata da língua, não trata da gramática, embora todas essas coisas lhe interessem. Ela trata do discurso. E a palavra discurso, etimologicamente, tem em si a ideia de curso, de percurso, de correr por, de movimento. O discurso é assim palavra em movimento, prática de linguagem, com o estudo do discurso observa-se o homem falando (ORLANDI, 2010, p. 15).

         Nesse sentido pode-se dizer que sujeito, história e sentido são inseparáveis.  Ao produzir textos o sujeito o faz por meio da história, o discurso é constitutivo dessas ligações: sujeito, história e ideologias.

          Escrita e autoria


     Na produção de textos as relações que o sujeito vai estabelecendo corroboram para o desenvolvimento da autoria, quando através da paráfrase e polissemia podem ocupar a posição-autor.


        Através das atividades de escrita, desejamos que os alunos produzam textos com autoria e criatividade. Na análise do desenvolvimento da autoria há elementos que evidenciam marcas de autoria.


           O processo parafrástico e o processo polissêmico são processos a serem
considerados no funcionamento da linguagem. Esses processos são responsáveis pelo desenvolvimento da autoria por parte dos sujeitos. “Regida pelo processo parafrástico, a produtividade mantém o homem num retorno constante ao mesmo espaço dizível: produz a variedade do mesmo” (Orlandi 2010, p.37). Isso significa que a paráfrase evidencia uma escrita que não apresenta efeito de originalidade ou criatividade. Nesse sentido o sujeito aluno cumpre a função-autor, que segundo a AD, é escrever um texto coerente, com início, meio e fim, mas sem autoria.


              No processo polissêmico acontece uma ruptura, o sujeito aluno passa a
escrever com efeito de originalidade, produzindo sentidos e dessa forma evidencia-se a autoria. “Já a criatividade implica na ruptura do processo de produção da linguagem, pelo deslocamento das regras, fazendo intervir o diferente[...]” (Orlandi 2010, p. 37).

        Quando escreve produzindo sentidos o sujeito aluno assume a posição-autor, sendo responsável por aquilo que ele escreve.

A avaliação de autoria nos textos pode ser  realizada conforme tabela abaixo:

PROCESSO MANIFESTO NO FUNCIONAMENTO DA LINGUAGEM

POSIÇÃO OCUPADA PELO ALUNO

GRAU DE AUTORIA NA ESCRITA

Paráfrase- Onde há repetição do mesmo. Foco na produtividade. Não há efeito de originalidade no texto.

Função-autor. O aluno é enunciador ou escrevente.

Função-autor. O aluno é enunciador ou escrevente.

Polissemia- Produção do novo, há deslocamento. Foco na criatividade. Há efeito de originalidade no texto.

Posição-autor. O aluno é sujeito-autor.

Nível discursivo, mobiliza sentidos e produz o efeito de novo, de nova formação discursiva.

SDs   que exemplificam no texto

           Aqui o sujeito-professor vai destacar alguns trechos que comprovam a avaliação de       autoria adotada no texto analisado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

     BENJAMIM, Walter. Obras escolhidas II: Rua de Mão Única. São Paulo: Brasiliense, 1987.

 

     BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental; Língua Portuguesa/Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF,1998.

 

______. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino

Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. 600 p.

Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_sit

e.pdf. Acesso em: 02 abr. 2019.

 

     FERNANDES, Carolina. O visível e o invisível da imagem: uma análise discursiva da leitura e da escrita de livros de imagens. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2017.

 

     ORLANDI, Eni Puccinelli. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis, RJ: Vozes,1996.

 

______ Discurso e leitura. São Paulo: Cortez; Campinas: Edunicamp, 1988.

 

______. Língua e conhecimento linguístico: Para uma história das idéias no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002.

 

______. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes Editores, 2010.

 

______. A linguagem e seu funcionamento: formas do discurso. Campinas, SP: Pontes Editores, 2011.

 

______. Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos. 4. ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2012.

 

     ORLANDI, Eni P.; LAGAZZI-RODRIGUES, Suzy. Introdução às Ciências da Linguagem: Discurso e Textualidade. 2. ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2010.

 

     PÊCHEUX, Michel. Análise automática do discurso (AAD 69). In: GADET, Françoise; HAK, Tony (Org.). Por uma análise automática do Discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. 3a ed. Campinas, SP: Editora UNICAMP, 1997.

bottom of page